COMUNICADO: Mais de quatrocentos activistas em protesto pela justiça climática e contra exploração de gás fóssil na Bajouca plantam árvores no terreno concessionado à Australis para furo

Hoje pela manhã, centenas de activistas participantes no Camp-in-Gás e habitantes locais juntaram-se na Bajouca, distrito de Leiria, para um protesto pacífico contra a exploração de gás e pela justiça climática. Alguns dos manifestantes invadiram o terreno da Australis, plantaram dezenas de árvores e deixaram uma mensagem clara: não vai acontecer o furo de gás.

Numa acção que a organização qualifica como um sucesso, mais de quatrocentas pessoas, entre participantes no primeiro acampamento de acção climática em Portugal, o Camp-in-Gás, e habitantes da Bajouca e localidades vizinhas, participaram num protesto organizado contra os furos de gás fóssil. Ao ritmo de samba, munidos de faixas onde se lêem frases contra os furos de gás e a apelar à justiça climática, a manifestação seguiu da Associação Bajouquense para o Desenvolvimento até ao terreno onde a petrolífera Australis Oil & Gas planeia executar um dos dois furos previstos para exploração de gás.

Uma parte dos manifestantes tomaram outro percurso e cerca de 120 activistas entraram pacificamente no terreno da Australis. Numa acção de desobediência civil não violenta, plantaram setenta árvores (pinheiros mansos, sobreiros e azinheiras), ergueram bandeiras, deixaram mensagens escritas em fitas vermelhas e exigiram “Justiça Climática Já!”. Algumas palavras de ordem mais repetidas foram “Australis Oil & Gas, não passarás”, “Não ao furo, sim ao futuro” ou “Não há planeta B”.

João Costa, da organização do Camp-in-Gás, assegura: “estamos aqui para dizer aos bajouquenses e ao mundo que a nossa luta é de todos, que voltaremos se a Australis tentar fazer o furo e não vamos, de maneira alguma, permiti-lo. Vamos cortar estradas, invadir o terreno, parar as máquinas. É o clima do planeta inteiro que está em causa, e são as vidas das pessoas. Não há necessidade de criar novas explorações de combustíveis fósseis; pelo contrário, há que reduzir em pelo menos 50% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030. A emergência climática é uma realidade e já não temos tempo de esperar pela vontade política que nunca existiu nas últimas décadas.”

“As acções dentro do terreno foram decididas em plenário de delegados dos activistas, num processo democrático e participativo. Tanto a proposta de plantar árvores como a proposta de artivismo obtiveram consenso. Temos o compromisso de pelo menos seis pessoas da Bajouca de virem regar e cuidar desta pequena floresta incipiente que aqui criámos hoje.”, explica Sinan Eden, activista do Climáximo. Acrescenta ainda: “Esta foi a primeira acção directa não violenta em massa que se levou a cabo pela justiça climática em Portugal, mas seguramente não será a única. Se os governos e decisores não são capazes de tomar as decisões certas para a protecção da vida das pessoas e dos ecossistemas, os cidadãos organizam-se e tomam as medidas ao seu alcance. Existem dezenas de organizações ibéricas, europeias e mundias que assumiram a missão de escalar protestos e acções de desobediência civil; por exemplo, 2020 Rebelión por el Clima e By 2020 We Rise Up, alianças de que o Climáximo faz parte.

Quinze contratos de concessão de exploração de gás e petróleo foram assinados em 2015, a escassos dias das eleições legislativas. Destes, restam activos apenas os dois para exploração de gás na zona centro, que os activistas garantem que também não vão existir.

 

Fotos: Mídia NINJA