Vídeo: Acção desobediência civil Camp-in-Gás

Vídeo da acção de desobediência civil em massa do Camp in Gás, na Bajouca, no passado sábado. O espírito do acampamento, os processos e preparativos, a manifestação com a população da Bajouca, e finalmente a invasão do terreno onde a Australis NÃO vai fazer o furo previsto, plantação de árvores e artivismo.

Música: Start a Revolution, dos fantásticos Terra Livre.

Vídeo: plenário “A Luta Contra Gás Fóssil”

Na 5ª feira, no Camp-in-Gás, tivémos um plenário especial sobre A Luta Contra Gás Fóssil, com:
– Luís Fazendeiro, do Climáximo e Movimento do Centro contra a Exploração de Gás
– Noelie Audi-Dor, dos Gastivists
– Tiago Gil, do Movimento do Centro contra a Exploração de Gás
– Alfons Pérez, da ODG (Observatori del Deute en la Globalització)

Eis o vídeo completo do plenário.

 

COMUNICADO: Mais de quatrocentos activistas em protesto pela justiça climática e contra exploração de gás fóssil na Bajouca plantam árvores no terreno concessionado à Australis para furo

Hoje pela manhã, centenas de activistas participantes no Camp-in-Gás e habitantes locais juntaram-se na Bajouca, distrito de Leiria, para um protesto pacífico contra a exploração de gás e pela justiça climática. Alguns dos manifestantes invadiram o terreno da Australis, plantaram dezenas de árvores e deixaram uma mensagem clara: não vai acontecer o furo de gás.

Numa acção que a organização qualifica como um sucesso, mais de quatrocentas pessoas, entre participantes no primeiro acampamento de acção climática em Portugal, o Camp-in-Gás, e habitantes da Bajouca e localidades vizinhas, participaram num protesto organizado contra os furos de gás fóssil. Ao ritmo de samba, munidos de faixas onde se lêem frases contra os furos de gás e a apelar à justiça climática, a manifestação seguiu da Associação Bajouquense para o Desenvolvimento até ao terreno onde a petrolífera Australis Oil & Gas planeia executar um dos dois furos previstos para exploração de gás.

Uma parte dos manifestantes tomaram outro percurso e cerca de 120 activistas entraram pacificamente no terreno da Australis. Numa acção de desobediência civil não violenta, plantaram setenta árvores (pinheiros mansos, sobreiros e azinheiras), ergueram bandeiras, deixaram mensagens escritas em fitas vermelhas e exigiram “Justiça Climática Já!”. Algumas palavras de ordem mais repetidas foram “Australis Oil & Gas, não passarás”, “Não ao furo, sim ao futuro” ou “Não há planeta B”.

João Costa, da organização do Camp-in-Gás, assegura: “estamos aqui para dizer aos bajouquenses e ao mundo que a nossa luta é de todos, que voltaremos se a Australis tentar fazer o furo e não vamos, de maneira alguma, permiti-lo. Vamos cortar estradas, invadir o terreno, parar as máquinas. É o clima do planeta inteiro que está em causa, e são as vidas das pessoas. Não há necessidade de criar novas explorações de combustíveis fósseis; pelo contrário, há que reduzir em pelo menos 50% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030. A emergência climática é uma realidade e já não temos tempo de esperar pela vontade política que nunca existiu nas últimas décadas.”

“As acções dentro do terreno foram decididas em plenário de delegados dos activistas, num processo democrático e participativo. Tanto a proposta de plantar árvores como a proposta de artivismo obtiveram consenso. Temos o compromisso de pelo menos seis pessoas da Bajouca de virem regar e cuidar desta pequena floresta incipiente que aqui criámos hoje.”, explica Sinan Eden, activista do Climáximo. Acrescenta ainda: “Esta foi a primeira acção directa não violenta em massa que se levou a cabo pela justiça climática em Portugal, mas seguramente não será a única. Se os governos e decisores não são capazes de tomar as decisões certas para a protecção da vida das pessoas e dos ecossistemas, os cidadãos organizam-se e tomam as medidas ao seu alcance. Existem dezenas de organizações ibéricas, europeias e mundias que assumiram a missão de escalar protestos e acções de desobediência civil; por exemplo, 2020 Rebelión por el Clima e By 2020 We Rise Up, alianças de que o Climáximo faz parte.

Quinze contratos de concessão de exploração de gás e petróleo foram assinados em 2015, a escassos dias das eleições legislativas. Destes, restam activos apenas os dois para exploração de gás na zona centro, que os activistas garantem que também não vão existir.

 

Fotos: Mídia NINJA

PLENÁRIO ESPECIAL: A LUTA CONTRA O GÁS FÓSSIL

No dia que precede a acção de desobediência civil e a manifestação legal contra o furo de gás na Bajouca, o plenário especial: a luta contra o gás fóssil contou com activistas nacionais e internacionais no painel, evidenciando uma vez mais que a luta que travamos dentro e fora deste acampamento é uma luta única, partilhada e conectada por todo o mundo. A luta pela justiça climática, como o próprio clima, não conhece fronteiras.

Luís Fazendeiro, do Climáximo e Movimento do Centro contra a Exploração de Gás, recordou que o fracking (fracturação hidráulica, o método mais danoso para extracção de gás fóssil) não só está previsto no contrato de concessão à Australis como, devido às características geomorfológicas do terreno, será a única forma possível de extracção do gás. Assim, indica que as reivindicações mínimas são o cancelamento imediato dos dois furos de exploração de gás fóssil, na Bajouca e em Aljubarrota, dos contratos que os originaram, bem como a revogação da lei que os permitiu.

Noelie Audi-Dor, dos Gastivists, referiu as implicações que a exploração de gás tem para as populações, desde a frequência acrescida de sismos, aos contaminantes químicos de água e solos, aos impactos económicos e nos direitos humanos, mas recordou também que ninguém trava esta luta sozinho, temos e exercemos o direito de decidir sobre as nossas vidas.

Tiago Gil, do Movimento do Centro contra a Exploração de Gás frisou a sensação de falta de transparência de que tem padecido todo o processo, desde a assinatura de contratos de concessão 4 dias antes das eleições legislativas de 2015, à actual suspensão dos prazos contratuais.

Alfons Pérez, da ODG (Observatori del Deute en la Globalització) referiu os mitos em relação ao gás, publicitado como energia de transição ou amigo do ambiente sem considerar todo o processo, desde a exploração às perdas no transporte (a maioria do gás consumido na Europa é importado), que fazem com que muitas vezes o gás seja, na verdade, responsável por mais emissões de gases com efeito de estufa do que o carvão.

A crise climática que vivemos não é compatível nem com novas explorações de energias fósseis, nem com a perpetuação do sistema económico assente no extractivismo, nem com metas a longo prazo ou planos moderados de transição que garantem o caos climático como consequência. A emergência que a todos prejudica tem de ser tratada como tal, tem de ser resolvida nos próximos 10 anos, e os governos, com seus papéis assinados de intenções e compromissos curtos não são a resposta. A resposta passa pela mobilização popular em massa, num crescendo de protesto e de participação activa nas tomadas de decisões.

Durante o plenário fez-se saber que em 4 freguesias vizinhas da Bajouca, amanhã pelas 9 horas da manhã tocarão os sinos das igrejas, em apelo para que a população se junte à manifestação contra o gás fóssil e pela justiça climática. Reiteramos e expandimos este apelo: para mudar tudo, todos são necessários.

Camp-in-Gás – dia #2

A capacitação de activistas pela justiça climática e contra os furos de gás fóssil continua em crescendo no Camp-in-Gás!

Ao segundo dia do acampamento, os destaques da agenda de palestras e debates foram para as sessões que abordaram a dissonância entre o que dita a ciência e as políticas face à crise climática, a relação profunda da injustiça social com as alterações climáticas, e o plano que a campanha Empregos para o Clima apresenta para a redução de 60 a 70% de emissões em dez a quinze anos, com a criação de mais de cem mil novos empregos.

Os participantes puderam ainda contar com oficinas de compostagem, plantas comestíveis e medicinais, escrita criativa, carpintaria, olaria, além de toda uma programação dedicada aos mais pequenos, no Espaço Criança.

Em preparação da acção directa não violenta anunciada para dia 20 no terreno concessionado à Australis para o furo de exploração de gás na Bajouca, precedida por uma manifestação pública de protesto contra a exploração de gás fóssil, houve lugar também a uma oficina de introdução à desobediência civil.

“Esta não é uma luta que possa ser ganha com petições ou actos simbólicos. É uma emergência e tem de ser tratada como tal e, se os governos não actuam em consonância com a gravidade e a urgência da situação, que nos coloca a todos em risco extremo, então a sociedade civil mobiliza-se e a desobediência civil torna-se, mais do que uma forma de luta, uma obrigação. É por isso mesmo que os movimentos se unem internacionalmente para fazer acontecer estas acções: na Península Ibérica temos o 2020 Rebelión por el Clima e a nível europeu o By 2020 We Rise Up, que são compromissos de escalada da mobilização.” enfatiza Sinan Eden, um dos organizadores.

No plenário de acção, os activistas foram recordados das lutas já travadas e ganhas desde 2015, quando existiam 15 contratos de exploração de combustíveis fósseis activos, e particularmente do percurso de luta intensa contra o furo de Aljezur, que acabou por ser cancelado em 2018. Com a convicção clara de que os dois contratos restantes serão igualmente cancelados, a acção do próximo sábado foi comunicada aos activistas, que já se começaram a alinhar estratégica e logisticamente.

Começou o Camp-in-Gás!

Depois de meses de planeamento, assembleias abertas, eventos benefit e muuuito trabalho de organização por parte de todos os voluntários, finalmente começou o Camp-in-Gás, o primeiro acampamento de acção contra o gás fóssil e pela justiça climática!

A maior parte das duas centenas de activistas inscritas já chegou ao acampamento na Bajouca. Depois de instaladas e familiarizadas com o espaço lindíssimo da ABAD e do parque de merendas do Pisão, o foco de todos já está na luta comum, nomeadamente na acção de desobediência civil que está agendada para o próximo sábado.

Durante o primeiro plenário foram recordadas a programação do evento, a política de inclusividade e espaço seguro, e o motivo principal que trouxe pessoas de todo o mundo para lutar ao lado da população da Bajouca nestes dias: a luta global pela justiça climática e contra os combustíveis fósseis, materializada na luta contra o furo de prospecção e exploração de gás na Bajouca e em Aljubarrota.

Depois de um delicioso e reconfortante jantar pelo colectivo Caldeira Negra, a festa de abertura continua de seguida. Até já! 😉